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  :: Em dia - Notícias, lançamentos do mercado editorial, novidades e links interessantes

Outubro/2004

PRODUÇÃO NÃO DIDÁTICA É A MAIOR DOS ÚLTIMOS 5 ANOS


Foto: C.Tarpani


Após conviver nos últimos anos com a propalada hipótese da própria extinção diante da chegada feroz da internet e de pretensos substitutos digitais, o livro - o primeiro meio impresso de multiplicação do conhecimento humano - já se sente suficientemente forte para assegurar que não morre tão cedo.  Na semana que vem, entre 27 e 30 de outubro, empresários, autoridades governamentais, presidentes de entidades e profissionais do livro de todo o País estarão reunidos em Porto Alegre para discutir o futuro da indústria livreira, que movimentou R$ 3,3 bilhões no ano passado, no 32 Encontro Nacional de Editores e Livreiros. Não vejo neste momento ou num futuro próximo nenhuma plataforma eletrônica capaz de desbancar o velho livro de papel. Por isso, não parece demais prever vida longa ao livro, seja porque entendo ser difícil que um e-book ofereça o mesmo conforto para leituras longas, seja pelo fetichismo que o produto tradicional provoca a uma parte dos leitores", diz o vice-presidente da organizadora do evento, a Câmara Brasileira do Livro, Bernardo Gurbanov. A tecnologia, ao contrário, tem ajudado o mercado editorial, na medida em que oferece novas técnicas econômicas de impressão, algo que passou a permitir o lançamento de títulos com pequenas tiragens e elevando a variedade de autores no mercado. Hoje é possível editar livros com 1000 exemplares, até menos. Há até dez anos, os custos não permitiam menos que 3 mil por tiragem. Em 2004, o mercado livreiro nacional deve fechar com estabilidade em relação ao ano passado, resultado, principalmente, da compra menor por parte do governo. Serão provavelmente 300 milhões de livros produzidos. O desempenho, porém, será melhor do que o de 2003 se considerada apenas a parcela de livros não-didáticos, bancados basicamente pelas compras governamentais. Devem ser produzidos 210 milhões de livros, o melhor resultado desde 1999. Segundo pesquisa da Câmara Brasileira do Livro, o País tem 26 milhões de leitores ativos. No ano passado foram produzidos 188 milhões de exemplares não-didáticos no mercado brasileiro. Mas apesar do crescimento de 11% este ano, o setor tem enfrentado problemas com um dos males do novo mercado, o da pirataria (o colombiano García Márquez, por exemplo, mudou o final de seu novo livro, "Memorias de mis putas tristes", para driblar as tiragens piradas que já estavam circulando no mercado latino-americano). No encontro de Porto Alegre, temas como este serão debatidos durante três dias pela elite dos empresários do setor a ssuntos relacionados ao negócio editorial, suas tendências, perspectivas e desafios para os próximos anos. Estarão presentes o coordenador do Plano Nacional do Livro e Leitura "Fome de Livro", Galeno Amorim; o presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, José Henrique Paim Fernandes; o senador Pedro Simon e o presidente da Fundação Biblioteca Nacional, Pedro Corrêa do Lago, entre outros. Para Oswaldo Siciliano, presidenste da CBL, entidade que organiza o evento, "os encontros sempre tiveram papel estratégico para o setor, porque, além de ampliar e aprofundar o debate em torno de questões pertinentes ao livro, preconizam a definição de propostas a serem executadas". Editoras e livrarias movimentaram em 2003 cerca de R$ 3,3 bilhões e produziram 299 milhões de exemplares. Entre lançamentos e reedições, foram editados 36 mil títulos. Trata-se de um mercado potencial e muito peculiar, com um vasto número de consumidores a serem conquistados (apenas 26 milhões de brasileiros são leitores ativos), mas que sofre diretamente os efeitos do déficit educacional e da baixa renda per capita do brasileiro. "O desempenho do setor está intimamente ao da economia. Quando as pessoas não têm dinheiro disponível, nossas vendas despencam", conta Bernardo Gurbanov, vice da CBL que também é dono da livraria Letra Viva. A programação do encontro de Porto Alegre procurou equilibrar temas relacionados ao negócio das empresas e ao contexto político e social em que o livro está inserido. "O empreendedorismo a favor do livro"; "O livro dentro da política do Ministério da Cultura"; "Marketing de relacionamento como diferencial competitivo" e "Os efeitos da pirataria do livro para o Brasil", são alguns dos assuntos que estarão em pauta. "O comprador de um livr o não compra simplesmente um produto. Compra o intangível, o simbólico, o ‘não-produto’. Por isso o planejamento de marketing ou vendas do livro deve partir do profundo conhecimento do que realmente deseja o comprador", teoriza o consultor de empresas Cesar Souza, que ministrará a palestra "Planejamento estratégico para o mercado editorial". Coordenadora da pesquisa "Retrato da Leitura no Brasil", considerado o mais abrangente estudo sobre o tema realizado no País, a professora da Fundação Getúlio Vargas, Adélia Franceschini, acredita que entre os maiores entraves para o desenvolvimento da hábito de ler estão a baixa qualidade do ensino no País, que trata a leitura sem atrativo, e a falta de acesso aos livros, seja pelo preço e falta de biblioteca nas escolas e municípios. Um outro desafio a ser vencido está na promoção e divulgação do livro. "Poucas são as editoras que traçam uma estratégia de divulgação baseada na especificidade da obra/autor/tema, para explorar todas as possibilidades de atrair os leitores. Ironicamente, o principal canal de divulgação das editoras é a própria mídia impressa. Se temos que atrair novos leitores, porque só falamos com quem já é leitor?", questiona a palestrante Heloísa Sobral, sócia-diretora da HMC, agência especializada na estratégia de distribuição e divulgação de produtos e serviços. Segundo Gurbanov, no capítulo marketing, uma das estratégias mais bem sucedidas nos últimos anos são as feiras, que alcançam cada vez mais público e colocam o leitor potencial de frente com o produto. Um exemplo, explica o vice-presidente da CBL, é a 2 Feira Pan Amazônica, que ocorreu em Belém, do Pará, em setembro. "Atraiu um público de 300 mil pessoas, um recorde", conta. A Bienal de São Paulo atrai normalmente 1 milhão de visitantes, boa parte jovem, justamente o público que entra no mercado e que as editoras mais desejam conquistar - porque são maleáveis para a conquista da leitura do que adultos distantes do hábito dos livros. Profissionais de sucesso de outras áreas também foram convidados e estarão no encontro de Porto Alegre para compartilhar suas experiências com os profissionais do livro. Entre eles, o fundador da Natura, Antonio Luiz Seabra; o presidente da Trump Brasil, Ricardo Bellino e o presidente do Grupo Gerdau.


Pesquisa mostra baixa leitura

Segundo a pesquisa "Retrato da Leitura no Brasil", promovida pela Câmara Brasileira do Livro, existem no País 26 milhões de leitores ativos - são considerados os que leram ao menos 1 livro nos últimos três meses, o que corresponde a 30% da população adulta alfabetizada. O estudo também revela que a leitura de livros é realmente apreciada apenas por 1/3 da populaç ão adulta alfabetizada, sendo que 61% dos brasileiros adultos alfabetizados têm muito pouco ou nenhum contato com livros. As classes BC concentram 70% dos apreciadores de livro e 16% da população concentra em casa 73% dos livros. A maioria dos compradores de livros, 58%, está nas regiões Sudeste e Sul.


Gazeta Mercantil, 21/10/2004, Caderno A, Pg. 14 - Ismael Pfeifer

Postada em: 28/10/2004 11:35

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O BRASILEIRO LÊ POUCO


Foto: TodososLivros

As pesquisas de mercado e avaliações do ensino médio e superior não deixam dúvidas: o brasileiro lê pouco, muito pouco. Baixa escolaridade e baixo poder aquisitivo certamente estão entre as causas da pouca afeição à leitura. Mas não há dúvida de que a falta de incentivo é uma grande indutora desse processo, que deixa milhares de brasileiros à margem da cidadania. Cabe ao Estado mudar esse quadro. E é possível fazê-lo com uma política cultural destinada a aumentar o espaço dedicado às letras, formar o hábito da leitura e tornar o livro um objeto acessível para qualquer pessoa.

Ler é uma atividade fundamental para que as civilizações promovam a circulação de idéias, a geração e a troca de conhecimento. É pela leitura que a pessoa se prepara para pensar, compreende melhor o mundo e se torna apta a solucionar problemas. Mas o livro é, acima de tudo, prazer estético, entretenimento, encantamento. E ninguém se encanta pelo que desconhece, pelo que lhe é tão distante e indiferente. Algum estímulo é necessário. O que, no caso, passa pela família, pela escola e, em última instância, por uma política pública adequada.

Segundo a Câmara Brasileira do Livro, 61% dos brasileiros adultos alfabetizados não têm praticamente contato nenhum com livros. A leitura atrai apenas um terço dos alfabetizados -praticamente todos das classes A e B-, e mais da metade dos compradores de livros está em apenas seis Estados, das regiões Sul e Sudeste, justamente os mais ricos. Ou seja, assim como a renda, a leitura também é concentrada neste país marcado pela exclusão social. Segundo a CBL, 61% dos brasileiros adultos alfabetizados não têm praticamente contato nenhum com livros. A desigualdade retratada pelos números se realimenta a cada dia de um círculo vicioso: o jovem que não lê se transforma no pai que se mantém ao largo dos livros ou no professor sem leitura, ao qual falta a consciência crítica necessária para o exercício de educar. Um moto-contínuo garantido pela dificuldade de acesso a livros, jornais e revistas, seja por questões econômicas, seja pela inexistência de livrarias ou bibliotecas.

O Brasil tem hoje apenas 1.500 livrarias, enquanto o ideal seria existirem pelo menos 10 mil. E mais: cerca de 1.300 municípios brasileiros das regiões mais pobres não dispõem de nenhuma biblioteca. Uma realidade que faz da formação de leitores um dos maiores desafios educacionais do país. Uma política cultural que nos permita enfrentar e vencer esse desafio terá de levar em conta alguns fatores. O primeiro deles é que crianças, jovens, adultos e idosos têm necessidades diferentes e precisam ser atendidos de forma distinta. As publicações infanto-juvenis, por exemplo, podem combinar conteúdo educacional com textos atraentes. Temos grandes autores no segmento infantil, mas poucas publicações de qualidade para jovens de 13 a 17 anos, o que se pode mudar com uma política articulada de incentivo. De qualquer forma, o bom livro de nada adiantará se não puder chegar à mão do leitor. Por isso, deve-se incentivar a criação de bibliotecas públicas, escolares e comunitárias que funcionem até mesmo à noite e nos fins de semana. Quando a escola já tiver uma biblioteca, que ela seja aberta à comunidade, principalmente nos municípios mais pobres, para que toda a população possa ter contato com os livros. Claro, é preciso capacitar os professores e bibliotecários para que trabalhem como agentes incentivadores da leitura.

Quando aumentarmos o número de bibliotecas e de leitores, naturalmente abriremos espaço para baratear o preço do livro, outro entrave na disseminação do hábito da leitura. Novamente estamos diante de um problema de gestão pública: no Brasil, apenas 1% da produção editorial destina-se às bibliotecas, enquanto nos Estados Unidos 30% dos livros editados são adquiridos pelos acervos públicos. Os resultados já alcançados reforçam a convicção de que só pela leitura conseguiremos realmente fazer de cada brasileiro um cidadão pleno. Um cidadão capaz de pensar e construir um futuro em que desenvolvimento pressuponha inclusão social.

Cláudia Costin, secretária da Cultura SP -  Quem vai ler nosso futuro?
(Artigo publicado na Folha de São Paulo, Seção Tendências/Debates, de 07 de outubro de 2004)

Postada em: 09/10/2004 09:10

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LEITURA NO METRÔ


Foto: Divulgação


A biblioteca “Embarque na Leitura”, a primeira a ser aberta numa estação de Metrô, já está funcionando na Estação Paraíso, em São Paulo. O acervo inicial contará com cerca de 4 mil livros de gêneros variados, incluindo títulos em braile. O empréstimo, gratuito, poderá ser feito de segunda a sexta-feira, das 11 às 20 horas. Os livros devem ser devolvidos em 10 dias em qualquer horário, pois haverá uma caixa receptora. O Balcão de Atendimento contará com duas profissionais.

Além do empréstimo de livros, a biblioteca  vai contar com atividades ligadas à literatura, como tarde de autógrafos, conversa com escritores, contadores de história, entre outras.

Para se cadastrar e receber a carteirinha, os interessados devem apresentar documento de identidade, comprovante de residência e uma foto 3x4. Menores de doze anos devem estar acompanhados dos pais. Somente poderá ser retirado um livro por vez. Além da Estação Paraíso, estão previstas as instalações de mais nove bibliotecas em outras estações do sistema.
  Consulte aqui a lista dos títulos disponíveis (pesquise pela letra inicial do sobrenome do autor).

Postada em: 07/10/2004 07:41

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BIBLIOTECA CLARICE LISPECTOR


Foto: Divulgação  

Fachada da Biblioteca com pintura nova

 



Para comemorar os 48 anos da Biblioteca pública municipal Clarice Lispector, que fica no bairro da Lapa, em São Paulo, a Suvinil em parceria com o Senac patrocinou nova pintura para a fachada.

Também foram pintados os muros da Biblioteca que ficou mais alegre e convidativa.

Postada em: 04/10/2004 20:35

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